Indicação de leitura

Os passos da pesquisa em História

 

VIEIRA, Maria do Pilar de Araújo et al. A Pesquisa em História. São Paulo: Ática, 1991. Pp. 29-64.

Por Mariana A. Costa*

A História deve ser pensada como experiência humana, que não muda com relação ao passado, e como sua própria narração, deriva do olhar do historiador. É indispensável que haja uma reflexão acerca do comprometimento desse historiador, fruto do seu tempo. Então, o conhecimento histórico é historicamente produzido.

Em A pesquisa em História, M. P. A. Vieira, M. R. C. Peixoto e Y. M. A. Khoury, vão tecendo de uma maneira acessível, uma espécie de passo a passo acerca do ofício do pesquisador em história.

Primeiramente, deve haver um tema. O tema é pensar o objeto e não apenas o assunto. Os caminhos para a escolha do tema podem ser: a partir de uma inquietação acadêmica, o pesquisador preocupando-se em preencher lacunas, aprofundando debates e questões suscitadas pelo curso, na desconstrução do discurso; e também pode partir de uma experiência de vida, como respostas a inquietações pessoais, problemas do cotidiano. Nesse caso, as autoras alertam para o perigo de olhar para a bibliografia e reflexão teórica minimizando as fontes, caindo no vazio.

Escolhido o tema, torna-se necessário que o mesmo seja delimitado. Nesse processo, pode haver uma redefinição do tema, levando-o a uma reorientação problemática.

Para as autoras, escolher e definir o tema estão profundamente relacionados com sua problematização.

É necessário problematizar as questões do passado a partir do presente. Essa problematização deve ser contínua, acompanhando o trabalho todo, nas relações e no diálogo entre empírico e teoria. É essencial que o historiador pense a teoria e elabore conceitos na explicação histórica, tomando o cuidado para não aceitar conceitos acabados, engessados, elaborados fora do diálogo teoria/evidência.

As autoras apontam a importância da presença das fontes na problematização, havendo a possibilidade de durante a coleta de dados simultâneo à reflexão teórica, ter de se repensar a problemática diante das evidências.

  Quebrando o culto em torno do texto escrito, que tem sido por excelência a linguagem do historiador, o texto manifesta a possibilidade de se utilizar diferentes formas de linguagem como produto final (música, desenho, literatura, foto etc.), o que auxiliaria o debate entre as contribuições e os usos dessas próprias formas.   

Para finalizar, o produto final não deve ser excludente, separado do conhecimento da experiência social. Deve apresentar uma relevância para a sociedade, apresentando-se sob forma pulsante, viva e acessível também a um público não especializado.

 

*Graduanda em História pela Universidade de Mogi das Cruzes.

 

 

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