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As várias representações de Che Guevara e da Revolução Cubana na mídia: o trabalho com fichas

Posted in América, Novos Posts on janeiro 13, 2011 by Mariana Andrade da Costa Romual

No 2º semestre de 2009, durante as aulas de Projetos Especiais do curso de História da Universidade de Mogi das Cruzes, trabalhamos com a produção de fichas e análise de documentos midiáticos. O tema  girou em torno das várias representações de Che Guevara e da Revolução Cubana na mídia (na época haviam muitas reportagens, inclusive várias capas de revistas sobre o assunto por conta das comemorações dos 50 anos da Revolução)

Nossa sugestão ao professor é que escolha um tema e divida a classe em grupos pedindo para  pesquisarem em diferentes fontes e depois discuta a visão de cada uma em sala de aula. Também é importante que cada grupo pesquise e apresente a história da revista ou jornal escolhido pois assim vão percebendo  a falta de parcialidade  da Mídia  descobrindo as ideologias por trás desses jornais e revistas.

 

1) Exemplo da ficha:

DOCUMENTO: 

-Tipo de documento (jornal, revista, imagem etc.)

REFERÊNCIA: 

– A referência do documento.

TEMA: 

-Qual é o tema?

REPRESENTAÇÃO: 

– Qual a Representação do real contida neste documento?

– Selecionar frases de efeito;

– Pode analisar imagem;

 

DESTINATÁRIO: 

– Para quem escreve? A quem essa frase é destinada?

ANÁLISE: 

– Análise feita pelos alunos com base nas informações obtidas com as pesquisas.

 

 

2) Exemplo de ficha preenchida:

DOCUMENTO 

Jornal

REFERÊNCIA 

O Estado de São Paulo, 07/10/2007.

Por Stephanie Holmes.

TEMA 

Che Guevara

REPRESENTAÇÃO 

– “Foto icônica de Che é usada para vender sorvete e cigarro” [Manchete]

– […] transformada em arte pop […].

– Che Guevara virou uma marca. E o logotipo da marca é essa imagem […].

– […] se transformou numa corporação, um império a essa altura.

– […] usado como decoração de produtos.

 

DESTINATÁRIO 

– Público de direita.

ANÁLISE 

– A frase “Foto icônica de Che é usada para vender sorvete e cigarro” é significativa, pois se trata da chamada da matéria. A foto de Che é “usada” por quem? Pelos capitalistas. Para quê? Para “vender”. Vender o quê? Ao usar “sorvete” e “cigarro”, remete ao “vender qualquer coisa”, desde algo fútil, inofensivo (sorvete), quanto algo agressivo como o cigarro, que apesar de banalizado hoje pode ser vinculado a movimentos de rebeldia.

– A imagem de Che é representada por termos típicos do sistema capitalista (arte-pop, marca, logotipo, corporação, império) no qual estamos inseridos e justamente contra o qual Che resistiu e lutou em sua trajetória como revolucionário socialista.

– Em “usado como decoração de produtos”, é realçada a idéia de que a imagem de Che transformou-se em algo meramente decorativo, ou seja, quem a usa está supostamente desprovido de ideologia socialista e ao usar a palavra produto, insinua que a imagem de Che foi absorvida pelo sistema capitalista.

 

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A “Marcha para o Oeste” a partir do uso da música na sala de aula

Posted in América on janeiro 11, 2011 by Mariana Andrade da Costa Romual

Mariana Andrade da Costa*

Country Os Brancos

Língua de Trapo

Composição: Carlos Melo / Lizoel Costa


Meu sonho era ir pro Velho Oeste

Dar uns tiros de pistola e de canhão

Fazer tudo o que o John Wayne fazia

Com as filha dos cacique valentão

 

Meu sonho era ser um texano

Dos bem bacano, o xerife mais temido

Daqueles que chega em casa e beija o cavalo

E na muié finca um tapão no pé do ouvido

 

Me lembro dos meus tempos de pixote

Nóis ia no cinema de domingo

Pra ver aqueles filme engajado

Dólar Furado, Bat Masterson e Ringo

 

O Rin-Tin-Tin era um big de um artista

Era racista, só mordia as indiarada

Porque nos filme bangue-bangue que se preza

Pele-vermelha sempre vira carne assada

 

Tirei passaporte pro Arizona

Meu sonho inda era ser caubói

Quando cheguei nos Estados Unidos

Fui recebido com as honra de um herói

 

Xerife me deu um revólver de prata

E disse: “mata quantos índio o senhor quisé

Porque aqui o cabra que mata mais índio

Tem por troféu a mais formosa das muié!”

 

Fui dando tiro a torto e a direito

Matei uns dez indígenas medonho

Casei com um muiérão de sete parmo

Despois mais carmo vi que tudo era um sonho

 

Eu nunca fui caubói no Arizona

Tô em Rondônia faz uns quatro mês ou mais

Não devo nada pros caubói que tem no Texas

Pois ando armado, a serviço da Funai

(Não devo nada pros caubói que tem no Texas

Moro em Brasília e sou filhinho de papai!)

ATIVIDADES


1) Após apresentar a música “Country Os Brancos”, da banda Língua de Trapo, organize a classe em grupos e discuta as impressões e os os principais pontos levantados.

 

2) Peça para que pesquisem o significado dos termos: Velho Oeste; Country; Cowboy; Filme bangue-bangue.

 

3) Peça para os alunos relacionarem (em grupo) os conceitos aprendidos nas aulas de História da América com as discussões em sala de aula com a música “Country Os Brancos”, da banda Língua de Trapo.

 

4) De acordo com o “herói” americano, o general Armstrong Custer, considerado como o “grande matador de índios”, “o único índio bom é um índio morto”. Peça para os alunos comentarem essa frase com base em tudo o que aprendeu.

 

5) Peça para que elaborem um pequeno comentário sobre o título da música, Cowntry os brancos. Porque os autores escolheram esse título?

 

6) Discuta com os alunos o trecho “Não devo nada pros caubói que tem no Texas / Moro em Brasília e sou filhinho de papai”. Qual seu significado? Quem foi Galdino?

 

*Graduanda em História pela Universidade de Mogi das Cruzes