A Inconfidência Mineira, Tiradentes e o mito do herói nacional a partir do uso de imagens na sala de aula

Liberdade, essa palavra que o sonho

humano alimenta que não há ninguém

que explique e ninguém que não

entenda.

(O Romanceiro da Inconfidência, Cecília Meireles)


1) Inconfidência ou Conjuração?

Inconfidência

s. f. 1. Falta de fidelidade para com alguém, particularmente para com o soberano ou o Estado. 2. Revelação de segredo confiado.

Conjuração

s. f. 1. Ato de conjurar. 2. Conspiração contra a autoridade estabelecida. 3. Maquinação, trama. 4. Esconjuro, imprecação.

Antecedentes:

Na segunda metade do século XVIII a Coroa portuguesa intensificou o seu controle fiscal sobre a sua colônia na América do Sul, proibindo, em 1785, as atividades fabris e artesanais na Colônia e taxando severamente os produtos vindos da Metrópole. Desde 1783 fora nomeado para governador da capitania de Minas Gerais D. Luíz da Cunha Meneses, reputado pela sua arbitrariedade e violência. Somando-se a isto, desde o meado do século as jazidas de ouro em Minas Gerais começavam a se esgotar, fato não compreendido pela Coroa, que instituiu a cobrança da “derrama” na região, uma taxação compulsória em que a população de homens-bons deveria completar o que faltasse da cota imposta por lei de 100 arrobas de ouro (1.500 kg) anuais quando esta não era atingida.

 

2) “É próprio da imaginação histórica edificar mitos que, muitas vezes, ajudam a compreender antes o tempo que os forjou do que o universo remoto para o qual foram inventados.”

(Alfredo Bosi)

 

A fabricação de um herói

Retrato de Tiradentes, Elias Andreato

Representação de Jesus Cristo, por Carl Bloch

 

Herói

s. m. 1. Mit. gr. Denominação dada aos descendentes de divindades e seres humanos da era pré-homérica (semideuses). 2. Homem que se distingue por coragem extraordinária na guerra ou diante de outro qualquer perigo. 3. O protagonista de qualquer aventura histórica ou drama real.

Mito

s. m. 1. Fábula que relata a história dos deuses, semideuses e heróis da Antiguidade pagã. 2. Narrativa de significação simbólica, transmitida de geração em geração dentro de determinado grupo e considerada verdadeira por ele. 3. Coisa inacreditável. 4. Idéia falsa, que distorce a realidade ou não corresponde a ela.

 

VAMOS PROBLEMATIZAR?

 

 

 

-Observe o quadro e responda:

 

 

- Em quais períodos da História Brasileira houve maior produção historiográfica sobre a Conjuração Mineira? Porquê?

 

- Analise a lei a seguir:

LEI Nº 4.897, DE 9 DE DEZEMBRO DE 1965
Declara Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, Patrono da Nação Brasileira.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o CONGRESSO NACIONAL decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, é declarado patrono cívico da Nação Brasileira.

Art. 2º As Forças Armadas, os estabelecimentos de ensino, as repartições públicas e de economia mista, as sociedades anônimas em que o Poder Público for acionista e as empresas concessionárias de serviços públicos homenagearão, presentes os seus servidores na sede de seus serviços a excelsa memória desse patrono, nela inaugurando, com festividades, no próximo dia 21 de abril, efeméride comemorativa de seu holocausto, a efígie do glorioso republicano.

Parágrafo único. As festividades de que trata este artigo serão programadas anualmente.

Art. 3º Esta manifestação do povo e do Governo da República em homenagem ao Patrono da Nação Brasileira visa evidenciar que a sentença condenatória de Joaquim José da Silva Xavier não é labéu que lhe infame a memória, pois é reconhecida e proclamada oficialmente pelos seus concidadãos, como o mais alto título de glorificação do nosso maior compatriota de todos os tempos.

Art. 4º Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

 

Brasília, 9 de dezembro de 1965; 144º da Independência e 77º da República.
H. CASTELLO BRANCO
Juracy Magalhães

 

- Qual a relação que você faz com a referida lei e o período em que foi criada? O que estava acontecendo nessa data?

 

 

VAMOS PROBLEMATIZAR IMAGENS?

 

 

 

- A partir de agora apresentaremos uma série sobre TIRADENTES.

Peça aos alunos que analisem cada uma delas relacionando, quando necessário com o que aprendeu até agora nas aulas.

 

Tiradentes por J. Wasth Rodrigues

 

- A prisão de Tiradentes: duas visões distintas…

 

A prisão de Tiradentes, de Antônio Parreiras

 

A prisão de Tiradentes por J. Wasth Rodrigues

 

- Peça para os alunos elencarem os detalhes que mais chamaram sua atenção nessas duas imagens.

- Qual a atitude do Tiradentes de A. Parreiras? E a de J. W.Rodrigues?

- Peça para os alunos pesquisarem sobre esses dois autores.

 

 

Tiradentes a caminho da forca, de Belmonte

 

Representação de Jesus Cristo

A caminho da forca…


 

Representação de Tiradentes no Mural João Câmara

 

Representação de Jesus cristo na cruz

 

A grande obra para exaltar a República:


Tiradentes esquartejado, de Pedro Américo.

 

Referências:

BELLOMO, Harry Rodrigues. As Rebeliões Coloniais. São Paulo: FTD, 1998.

BUENO, Eduardo. Brasil: Uma História. S. Paulo: Ática, 2003.

CALMON, Pedro. História do Brasil. S. Paulo: Nacional, 1956.

CALOU FILHO, José Ivan. Versões Clássicas da Inconfidência Mineira. In: Revista do Arquivo Nacional, v.4, n.1, 1989. (Pp. 148-174)

CHIAVENATO, Júlio José. Inconfidência Mineira: As várias faces. S. Paulo: Contexto, 2000.

FAUSTO, Bóris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1997.

MICELI, Paulo. O mito do herói nacional. S. Paulo: Contexto, 1989.

 

quadro historiografia
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