No 2º semestre de 2009, durante as aulas de Projetos Especiais do curso de História da Universidade de Mogi das Cruzes, trabalhamos com a produção de fichas e análise de documentos midiáticos. O tema girou em torno das várias representações de Che Guevara e da Revolução Cubana na mídia (na época haviam muitas reportagens, inclusive várias capas de revistas sobre o assunto por conta das comemorações dos 50 anos da Revolução)
Nossa sugestão ao professor é que escolha um tema e divida a classe em grupos pedindo para pesquisarem em diferentes fontes e depois discuta a visão de cada uma em sala de aula. Também é importante que cada grupo pesquise e apresente a história da revista ou jornal escolhido pois assim vão percebendo a falta de parcialidade da Mídia descobrindo as ideologias por trás desses jornais e revistas.
1) Exemplo da ficha:
| DOCUMENTO:
-Tipo de documento (jornal, revista, imagem etc.) |
REFERÊNCIA:
- A referência do documento. |
TEMA:
-Qual é o tema? |
| REPRESENTAÇÃO:
- Qual a Representação do real contida neste documento? - Selecionar frases de efeito; - Pode analisar imagem;
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DESTINATÁRIO:
- Para quem escreve? A quem essa frase é destinada? |
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| ANÁLISE:
- Análise feita pelos alunos com base nas informações obtidas com as pesquisas.
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2) Exemplo de ficha preenchida:
| DOCUMENTO
Jornal |
REFERÊNCIA
O Estado de São Paulo, 07/10/2007. Por Stephanie Holmes. |
TEMA
Che Guevara |
| REPRESENTAÇÃO
- “Foto icônica de Che é usada para vender sorvete e cigarro” [Manchete] - [...] transformada em arte pop [...]. - Che Guevara virou uma marca. E o logotipo da marca é essa imagem [...]. - [...] se transformou numa corporação, um império a essa altura. - [...] usado como decoração de produtos.
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DESTINATÁRIO
- Público de direita. |
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| ANÁLISE
- A frase “Foto icônica de Che é usada para vender sorvete e cigarro” é significativa, pois se trata da chamada da matéria. A foto de Che é “usada” por quem? Pelos capitalistas. Para quê? Para “vender”. Vender o quê? Ao usar “sorvete” e “cigarro”, remete ao “vender qualquer coisa”, desde algo fútil, inofensivo (sorvete), quanto algo agressivo como o cigarro, que apesar de banalizado hoje pode ser vinculado a movimentos de rebeldia. - A imagem de Che é representada por termos típicos do sistema capitalista (arte-pop, marca, logotipo, corporação, império) no qual estamos inseridos e justamente contra o qual Che resistiu e lutou em sua trajetória como revolucionário socialista. - Em “usado como decoração de produtos”, é realçada a idéia de que a imagem de Che transformou-se em algo meramente decorativo, ou seja, quem a usa está supostamente desprovido de ideologia socialista e ao usar a palavra produto, insinua que a imagem de Che foi absorvida pelo sistema capitalista.
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